No Meio-Norte brasileiro, a dimensão de gênero é atravessada por um patriarcado rural persistente, que historicamente invisibilizou a contribuição econômica feminina ao classificá-la como simples “ajuda” [6, 7]. Entretanto, a sociologia produzida na UFPI revela que as mulheres são agentes fundamentais de transformação, atuando como gestoras da biodiversidade nos quintais produtivos e guardiãs de sementes tradicionais [5, 7]. Essa “invisibilidade produtiva” é combatida por pesquisas que demonstram como o trabalho doméstico e extrativista sustenta a unidade familiar [6].

Um dos sujeitos políticos mais emblemáticos da região são as Quebradeiras de Coco Babaçu [2]. Elas representam a interseção entre gênero, etnia e defesa do território. A luta dessas mulheres pelo “Babaçu Livre” — o acesso aos babaçuais cercados por latifúndios — é um exemplo vivo de “ecofeminismo popular” [6]. Para elas, a preservação da “mãe palmeira” é indissociável da sobrevivência física e cultural de suas famílias, fornecendo alimento, renda e identidade [2, 6]. A conquista da Lei do Babaçu Livre em diversos municípios é analisada como uma vitória da ação coletiva sobre a propriedade privada excludente [2].

O associativismo feminino tem sido a principal ferramenta de alteração da dinâmica de poder doméstico no Piauí [1]. Cooperativas de mulheres produtoras de mel, caju e artesanato garantem renda própria, o que lhes confere voz nas decisões familiares e comunitárias [1, 6]. A autonomia financeira, muitas vezes impulsionada por programas como o Bolsa Família e o PAA, altera a correlação de forças no lar, reduzindo a dependência em relação à figura masculina [1, 7].

Além disso, a sociologia investiga criticamente a violência de gênero, analisando como políticas como a Lei Maria da Penha enfrentam desafios de implementação em áreas isoladas [3, 7]. O isolamento geográfico e a força de valores conservadores exigem estratégias de atendimento que considerem a realidade das mulheres do campo e das florestas [3, 7].

Vitórias e Dinâmicas da Ação Coletiva Feminina no Meio-Norte:

Essas transformações subjetivas e políticas, documentadas nas dissertações do PPGS, reverberam na educação dos filhos e na saúde das comunidades, criando um ciclo de desenvolvimento humano que desafia o patriarcado estrutural e propõe novos modelos de sustentabilidade [1, 6, 7].

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