A produção intelectual do Mestrado em Sociologia da UFPI é sustentada por uma estrutura acadêmica rigorosa, organizada em três linhas de pesquisa fundamentais que funcionam como eixos de gravitação para pesquisadores e docentes [1, 2]. Essas linhas não são compartimentos estanques, mas pilares que permitem uma cobertura abrangente dos fenômenos sociais, integrando teoria e empiria para responder aos desafios urgentes do Meio-Norte [1, 2].
A primeira linha, Processos Sociais, Cultura e Identidade, investiga as construções simbólicas e as subjetividades que emergem na região [2]. O foco recai sobre como as tradições locais são ressignificadas diante da globalização e dos fluxos migratórios. Os pesquisadores desta linha exploram temas como a religiosidade popular, as manifestações culturais e a memória de comunidades ribeirinhas [2, 4]. Um ponto de destaque é a investigação sobre o “ser piauiense”, construído em diálogo com os estereótipos nacionais, e o surgimento de novas identidades juvenis e subculturas urbanas em Teresina [2]. A contribuição aqui é o fortalecimento do patrimônio imaterial e a compreensão de como o corpo e a sexualidade são politizados no contexto regional [1, 2].
A segunda linha, Desigualdades, Estado e Políticas Públicas, dedica-se às relações de poder e governança [2]. Em um estado marcado historicamente por oligarquias políticas, a sociologia do Estado na UFPI analisa a eficácia dos mecanismos de proteção social. Pesquisas avaliam como políticas de transferência de renda, como o Bolsa Família, alteram as bases do clientelismo local e promovem novas formas de cidadania [2, 3]. Esta linha também foca na capacidade de mobilização de movimentos sociais — desde sindicatos rurais até movimentos LGBTQIA+ — e na gestão da pobreza em um cenário de crescimento econômico desigual [3, 5].
A terceira linha, Ruralidade, Trabalho e Território, possui profunda aderência às questões agrárias do Meio-Norte [1]. Ela investiga a transição do campesinato tradicional para novas formas de assalariamento rural e os impactos da expansão do agronegócio [6, 7]. O conceito de “nova ruralidade” é central, discutindo o campo como um espaço pluriativo, onde a agricultura convive com serviços, lazer e transferências de renda [6]. Estuda-se aqui a expropriação de terras e o fenômeno da “grilagem”, fundamentais para entender a resistência de quilombolas e camponeses [2, 7].
Abaixo, detalhamos a estrutura programática:
Tabela 1: Estrutura Programática e Focos de Investigação do PPGS/UFPI
| Eixo Analítico | Linha de Pesquisa Dominante | Temas de Destaque na Região | Contribuição para o Debate Público |
|---|---|---|---|
| Identitário | Processos Sociais e Cultura | Juventude, Religiosidade, Identidade Regional e Patrimônio | Fortalecimento do patrimônio imaterial e desconstrução de estereótipos regionais. |
| Institucional | Estado e Políticas Públicas | Gestão da Pobreza, Redes de Proteção, Clientelismo e Cidadania | Aperfeiçoamento de mecanismos de gestão e avaliação crítica do papel do Estado no bem-estar. |
| Territorial | Ruralidade e Trabalho | Conflitos Agrários, MATOPIBA, Nova Ruralidade e Grilagem | Defesa dos territórios tradicionais e denúncia de processos de expropriação no campo. |
Fonte: Baseado em [1, 2, 5, 6].
A integração entre essas linhas permite ao programa analisar fenômenos complexos, como a insegurança alimentar, não apenas como uma carência nutricional, mas como resultado de falhas na inclusão produtiva e de uma gestão estatal que muitas vezes prioriza a exportação de commodities em detrimento do consumo interno e da soberania alimentar local [5].