No Piauí, a insegurança alimentar não é uma fatalidade climática decorrente da seca, mas sim um fenômeno socialmente construído, fruto de uma falha sistêmica na circulação da riqueza e no acesso à terra [5]. O estado produz grãos em abundância, mas uma parcela significativa da população rural convive com a incerteza da próxima refeição — o chamado “nexo entre terra e prato” [5]. A fome ocorre justamente onde a concentração fundiária é mais intensa e onde o agronegócio de exportação substituiu a produção de alimentos de consumo local (feijão, arroz, mandioca) [5, 7].

A sociologia utiliza a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA) para mapear o problema em níveis: leve (ansiedade futura), moderada (restrição quantitativa) e grave (fome) [5]. As pesquisas do PPGS/UFPI revelam dados alarmantes sobre a vulnerabilidade de grupos específicos.

Tabela 3: Níveis de Insegurança Alimentar por Recorte Social no Piauí (Estimativas Acadêmicas)

Segmento PopulacionalInsegurança LeveInsegurança ModeradaInsegurança Grave (Fome)
Famílias Urbanas (Periferia)35%15%12%
Pequenos Agricultores28%20%18%
Comunidades Quilombolas25%22%25%
Assentamentos de Reforma Agrária30%12%8%

Fonte: Dados extraídos da Tabela 3 do Contexto [5]. Nota-se que a reforma agrária reduz drasticamente a fome grave.

Para compreender essa dinâmica, propõe-se uma fórmula sociológica da Vulnerabilidade Alimentar (VA):

VA=Gid​(Pr​+At​+Rf​)​

A superação deste paradoxo exige o fortalecimento da agricultura familiar e a titulação de terras quilombolas. A sociologia demonstra que a fome é uma escolha política: enquanto o alimento for tratado como commodity de exportação em detrimento do direito humano, a abundância nos portos continuará a coexistir com a escassez nas mesas piauienses [1, 5].

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *