O futuro da pesquisa sociológica no Meio-Norte exige atenção a novas dinâmicas globais que impactam o local. A “Sociologia do Risco” torna-se essencial diante das mudanças climáticas, que no Piauí não são apenas eventos meteorológicos, mas catástrofes sociais [1, 2]. Para o pequeno produtor, uma seca prolongada gera endividamento e perda de terras; para as populações ribeirinhas de Teresina, as cheias significam o risco constante de perda da moradia. A adaptação climática deve, portanto, passar pelo reconhecimento dos saberes tradicionais e pela proteção de ecossistemas como as matas de galeria [2].

No campo do trabalho, observa-se uma transição para modelos precários. Enquanto o sul do estado lida com o trabalho sazonal no agronegócio e a exposição a agrotóxicos, o ambiente urbano enfrenta a “uberização” dos serviços [2]. A juventude qualificada piauiense enfrenta uma “frustração estrutural”: apesar da expansão do ensino técnico e superior, o mercado de trabalho local, restrito ao setor público e ao agronegócio de baixa absorção, não oferece postos condizentes com a escolaridade, gerando um “êxodo de cérebros” para outras regiões [2].

A UFPI permanece como o “farol” necessário para garantir que o desenvolvimento não seja imposto de fora, mas que respeite as vocações e saberes locais [3]. O compromisso do PPGS é com uma ciência social situada e crítica.

Estratégias para o Futuro do Meio-Norte (Baseadas na Pesquisa Social):

  1. Fortalecimento da Agricultura Familiar e Reforma Agrária: Priorizar o policultivo para garantir a soberania alimentar local e reduzir os índices de fome grave, como comprovado nos assentamentos [5].
  2. Promoção da Autonomia Feminina: Investir no associativismo e garantir a titularidade da terra para mulheres rurais como a estratégia mais eficaz contra a pobreza extrema [1, 5, 7].
  3. Proteção dos Biomas e Povos Tradicionais: Garantir a titulação de terras quilombolas e o livre acesso aos babaçuais como forma de conter a grilagem e preservar a biodiversidade [2, 6].
  4. Adaptação Climática Socialmente Justa: Integrar o conhecimento científico com saberes camponeses para a regulação hídrica e convivência com o semiárido [2].
  5. Democratização e Avaliação de Políticas Públicas: Fortalecer as redes de proteção social para mitigar a precarização do trabalho e romper com as lógicas clientelistas no interior [2, 3].
  6. Valorização da Ciência Regional: Apoiar a produção científica “de dentro” para que o Piauí e o Maranhão deixem de ser apenas exportadores de matéria-prima e se tornem polos de inovação social [1, 2].

O compromisso do Mestrado em Sociologia da UFPI é assegurar que o Meio-Norte seja compreendido em toda a sua complexidade, garantindo que a pesquisa acadêmica funcione como um espelho onde a região se reconhece e se projeta para um futuro de justiça agrária e social [1, 2, 5].

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